
Limitações da WWW, a World Wide Web
Leitura da entrevista do físico inglês Tim Berners-Lee, criador da WWW. A conversa ocorreu em 1999, a convite dos editores da revista norte-americana Time. Berners-Lee estava em Genebra e aconteceu online, a partir de um chat.
Pontos para análise
Como o criador da www percebe a sua própria criação?
O que ele, na época, achava que a www poderia avançar?
O controle da web é inútil para Berners-Lee?
Quais os motivos para o sucesso da internet, segundo o criador?
Como ele compara a web e a prensa?
Referências:
A arte da entrevista, org. Fábio Altman, editora Boitempo
Discussão sobre reportagem de Richard Waters, do Financial Times, de São Francisco
Blogs trazem nova realidade para a opinião pública nos Estados Unidos
Barack Obama e Bill Clinton desentenderam-se com os grandes nomes do mundo da mídia, mas isso não os ajudou em uma ocasião recente, quando enfrentaram uma repórter amadora californiana de 61 anos que brandia um gravador digital Sony de US$ 40.
Mayhill Fowler, uma blogueira do site Huffington Post, da especialista em política Arianna Huffington, representa um fenômeno novo em anos de política eleitoral.
Apesar de toda a maestria demonstrada pelos candidatos perante as câmeras de televisão, nos comícios e nos debates, tem ficado cada vez mais difícil para os gerentes de publicidade das campanhas influenciar a forma como a mensagem dos seus candidatos é disseminada, devido à entrada dos "jornalistas cidadãos" no cenário.
"Os comitês de campanha trabalham cada vez mais arduamente no sentido de prevenir desastres, mas, inevitavelmente, haverá rachaduras na fachada", afirma Fowler, uma entusiasta que desembolsou dinheiro para participar continuamente da cobertura da campanha desde o final de dezembro passado.
"Antigamente, com muita freqüência, os candidatos falavam de uma forma para uma platéia e de outra totalmente diferente para um outro grupo de eleitores. Mas, devido à tecnologia, creio que agora tudo isso ficará registrado", afirma ela.
Atualmente os políticos enfrentam a assustadora possibilidade de que praticamente toda ação ou comentário improvisado possa ser gravado digitalmente e disseminado amplamente pela Internet.
Mayhill Fowler, uma blogueira do site Huffington Post, da especialista em política Arianna Huffington, representa um fenômeno novo em anos de política eleitoral.
Apesar de toda a maestria demonstrada pelos candidatos perante as câmeras de televisão, nos comícios e nos debates, tem ficado cada vez mais difícil para os gerentes de publicidade das campanhas influenciar a forma como a mensagem dos seus candidatos é disseminada, devido à entrada dos "jornalistas cidadãos" no cenário.
"Os comitês de campanha trabalham cada vez mais arduamente no sentido de prevenir desastres, mas, inevitavelmente, haverá rachaduras na fachada", afirma Fowler, uma entusiasta que desembolsou dinheiro para participar continuamente da cobertura da campanha desde o final de dezembro passado.
"Antigamente, com muita freqüência, os candidatos falavam de uma forma para uma platéia e de outra totalmente diferente para um outro grupo de eleitores. Mas, devido à tecnologia, creio que agora tudo isso ficará registrado", afirma ela.
Atualmente os políticos enfrentam a assustadora possibilidade de que praticamente toda ação ou comentário improvisado possa ser gravado digitalmente e disseminado amplamente pela Internet.
Foi a presença de Fowler em um evento para arrecadação de verbas, em São Francisco, em abril, o fator responsável para que a campanha de Obama atingisse o seu patamar mais baixo até o momento. A gravação feita por ela dos comentários do candidato sobre como os "amargos"
habitantes da Pensilvânia "agarram-se", como consolo, às armas e à religião, ressaltou aquilo que os críticos denunciaram como elitismo. Fowler diz que à época esperava ser capaz de conciliar o seu entusiasmo pessoal por Obama com a sua reportagem. Ela ficou indecisa vários dias, sem saber se divulgava aquilo que o senador por Illinois dissera perante uma platéia de 400 pessoas, embora atualmente sinta pouco remorso. "Ele estava confirmando os piores estereótipos dos
californianos da classe média alta a respeito dos eleitores da classe trabalhadora", diz.
Mais recentemente, esta mãe de Oakland estava em Dakota do Sul para registrar o último dia da campanha de Hillary Clinton nas primárias, quando Bill Clinton parou para conversar com uma multidão.
Respondendo a uma pergunta dela sobre o áspero perfil publicado recentemente por uma revista, ele chamou o jornalista responsável pelo artigo de "um sujeito viscoso" e "um indivíduo desprezível" - comentários que ricochetearam pela Internet.
Inevitavelmente, os dois furos de Fowler geraram um debate entre os círculos jornalísticos no sentido de determinar se é correto publicar todos os comentários feitos de improviso, e se algum político é capaz de sobreviver a tal escrutínio constante.
Marc Cooper, o editor dela no Huffington Post, dá pouca importância a tais argumentos. "A nova realidade para os políticos é que é melhor demonstrarem clareza quanto àquilo que são, ou então acostumarem-se a mentir a todo o momento".
A parte do site do Huffington Post destinada às reportagens dos voluntários - a "Off The Bus" - deixa claro que é uma virtude o fato de os seus colaboradores serem pessoas comuns, que não fazem parte do grupo de jornalistas tradicionais que viajam com os candidatos.
"Os jornalistas que embarcam no mesmo ônibus que o candidato estão sujeitos a bate-papos amigáveis. Agora os manipuladores da mídia aprenderam a fornecer 'umas migalhas' aos blogueiros favoráveis a fim de que estes influenciem o debate na Web. Eles não desejam alguém
como eu, que está fora do círculo de controle", afirma Fowler.
Após meio ano de repousos breves em hotéis baratos e longas viagens de carro entre os comícios dos candidatos, Fowler traz as cicatrizes de um jornalista de campanha mais tarimbado.
Grande parte do seu idealismo desapareceu, à medida que ela observava os candidatos democratas de uma distância relativamente curta.
E embora ainda se defina mais como cidadã do que como jornalista, ela desistiu do seu antigo entusiasmo partidário. "Fiquei muito mais desvinculada, objetiva e fria", explica Fowler. "Tornei-me a clássica jornalista cética".
Revelações e sordidez
habitantes da Pensilvânia "agarram-se", como consolo, às armas e à religião, ressaltou aquilo que os críticos denunciaram como elitismo. Fowler diz que à época esperava ser capaz de conciliar o seu entusiasmo pessoal por Obama com a sua reportagem. Ela ficou indecisa vários dias, sem saber se divulgava aquilo que o senador por Illinois dissera perante uma platéia de 400 pessoas, embora atualmente sinta pouco remorso. "Ele estava confirmando os piores estereótipos dos
californianos da classe média alta a respeito dos eleitores da classe trabalhadora", diz.
Mais recentemente, esta mãe de Oakland estava em Dakota do Sul para registrar o último dia da campanha de Hillary Clinton nas primárias, quando Bill Clinton parou para conversar com uma multidão.
Respondendo a uma pergunta dela sobre o áspero perfil publicado recentemente por uma revista, ele chamou o jornalista responsável pelo artigo de "um sujeito viscoso" e "um indivíduo desprezível" - comentários que ricochetearam pela Internet.
Inevitavelmente, os dois furos de Fowler geraram um debate entre os círculos jornalísticos no sentido de determinar se é correto publicar todos os comentários feitos de improviso, e se algum político é capaz de sobreviver a tal escrutínio constante.
Marc Cooper, o editor dela no Huffington Post, dá pouca importância a tais argumentos. "A nova realidade para os políticos é que é melhor demonstrarem clareza quanto àquilo que são, ou então acostumarem-se a mentir a todo o momento".
A parte do site do Huffington Post destinada às reportagens dos voluntários - a "Off The Bus" - deixa claro que é uma virtude o fato de os seus colaboradores serem pessoas comuns, que não fazem parte do grupo de jornalistas tradicionais que viajam com os candidatos.
"Os jornalistas que embarcam no mesmo ônibus que o candidato estão sujeitos a bate-papos amigáveis. Agora os manipuladores da mídia aprenderam a fornecer 'umas migalhas' aos blogueiros favoráveis a fim de que estes influenciem o debate na Web. Eles não desejam alguém
como eu, que está fora do círculo de controle", afirma Fowler.
Após meio ano de repousos breves em hotéis baratos e longas viagens de carro entre os comícios dos candidatos, Fowler traz as cicatrizes de um jornalista de campanha mais tarimbado.
Grande parte do seu idealismo desapareceu, à medida que ela observava os candidatos democratas de uma distância relativamente curta.
E embora ainda se defina mais como cidadã do que como jornalista, ela desistiu do seu antigo entusiasmo partidário. "Fiquei muito mais desvinculada, objetiva e fria", explica Fowler. "Tornei-me a clássica jornalista cética".
Revelações e sordidez
Desconfie de entrevistas com políticos. Elas pouco revelam da alma de um personagem. Homens públicos quase sempre representam e mentem. E, assim, a tarefa de um repórter em arrancar alguma verdade de um político é árdua. Revelações só ocorrem a partir de descuidos — um momento de arrogância ou vaidade numa resposta, por exemplo — ou quando alguém, por qualquer motivo, está louco para abrir a boca e contar um segredo, como ocorreu, em 2006, na entrevista do ex-deputado federal Roberto Jefferson à Folha de S.Paulo. Ali, o mensalão foi descortinado.
No livro Por trás da entrevista, a escritora Carla Mühlhaus conversa com 10 jornalistas sobre o ato de perguntar. Um deles, Carlos Heitor Cony, afirma: "A entrevista é um depoimento, ninguém é obrigado a dizer a verdade". Se as entrevistas com autoridades públicas são exercícios de esconde-esconde, o mesmo não se pode dizer das reportagens tendo políticos como personagens principais. Perfis jornalísticos ainda são a melhor forma de retratar e humanizar um político. Um repórter com tempo de observação quase sempre tem em mãos um bom material jornalístico.
A última edição da revista Piuaí é um exemplo de como o investimento em reportagens pode trazer a alma de um entrevistado, no caso a do ex-ministro e ex-deputado José Dirceu. Ali, no texto, o petista entre as cidades de São Paulo, Lisboa, Madri e Santo Domingo, revela-se. É um resignado, ao aceitar xingamentos em aeroportos e restaurantes. Um fanfarrão, ao citar que, se absolvido fosse pela Câmara, poderia chegar à Presidência. Um atirador, ao revelar que a esquerda do PT pedia até R$ 1 milhão ao ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e que a sede do PT em Porto Alegre foi construída com caixa 2. Um sórdido, ao acusar a ex-companheira de partido, Heloísa Helena, de ter votado contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão por "motivos impublicáveis".
Uma das funções do jornalismo é desmitificar políticos. Explorar contradições, revelar preconceitos e até citar gestos e atos nobres, como qualquer ser humano pode um dia ter. Só assim políticos podem ser de fato avaliados. A partir de entrevistas clássicas e enfadonhas, com simples perguntas e respostas, os políticos tentarão representar o papel de heróis. O risco é que tal encenação seja aceita pelo eleitor.
No livro Por trás da entrevista, a escritora Carla Mühlhaus conversa com 10 jornalistas sobre o ato de perguntar. Um deles, Carlos Heitor Cony, afirma: "A entrevista é um depoimento, ninguém é obrigado a dizer a verdade". Se as entrevistas com autoridades públicas são exercícios de esconde-esconde, o mesmo não se pode dizer das reportagens tendo políticos como personagens principais. Perfis jornalísticos ainda são a melhor forma de retratar e humanizar um político. Um repórter com tempo de observação quase sempre tem em mãos um bom material jornalístico.
A última edição da revista Piuaí é um exemplo de como o investimento em reportagens pode trazer a alma de um entrevistado, no caso a do ex-ministro e ex-deputado José Dirceu. Ali, no texto, o petista entre as cidades de São Paulo, Lisboa, Madri e Santo Domingo, revela-se. É um resignado, ao aceitar xingamentos em aeroportos e restaurantes. Um fanfarrão, ao citar que, se absolvido fosse pela Câmara, poderia chegar à Presidência. Um atirador, ao revelar que a esquerda do PT pedia até R$ 1 milhão ao ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e que a sede do PT em Porto Alegre foi construída com caixa 2. Um sórdido, ao acusar a ex-companheira de partido, Heloísa Helena, de ter votado contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão por "motivos impublicáveis".
Uma das funções do jornalismo é desmitificar políticos. Explorar contradições, revelar preconceitos e até citar gestos e atos nobres, como qualquer ser humano pode um dia ter. Só assim políticos podem ser de fato avaliados. A partir de entrevistas clássicas e enfadonhas, com simples perguntas e respostas, os políticos tentarão representar o papel de heróis. O risco é que tal encenação seja aceita pelo eleitor.

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